Essa discussão está no centro de um processo envolvendo a Rockstar Games, que demitiu dezenas de funcionários em 2025.
Os trabalhadores alegam que as dispensas tiveram caráter antissindical. Já a Rockstar afirma que ocorreram por falta grave, após o compartilhamento de informações confidenciais e manifestações consideradas ofensivas ou difamatórias em um servidor do Discord que também reunia pessoas externas à empresa.
No Brasil, a discussão encontra paralelo no art. 482 da CLT, que prevê como hipóteses de justa causa o mau procedimento e atos lesivos à honra ou à boa fama do empregador e de superiores hierárquicos.
Mas nem toda crítica à empresa configura justa causa. Para avaliar a gravidade da conduta, entram em cena fatores como conteúdo, contexto, alcance das declarações e eventual violação de confidencialidade.
É justamente aí que o caso Rockstar se torna interessante: houve uma conduta grave capaz de justificar as demissões ou a justificativa foi utilizada para atingir a organização sindical dos trabalhadores?
Em paralelo, a indústria de games vive outro movimento relevante. Cerca de 1.900 trabalhadores da Blizzard Entertainment, da Microsoft, ratificaram um acordo coletivo com reajustes salariais, proteção em casos de layoff, direito de recall por 14 meses e negociação sobre o uso de inteligência artificial no trabalho.
Dois casos que mostram como sindicalização, liberdade de expressão e novas tecnologias estão ganhando espaço nas relações de trabalho do setor de games.